segunda-feira, jul 10

malandro
EM Manual de Sobrevivência

Somewhere I Know There's Nothing (Chad Van Gaalen) (mp3)

Chad Van Gaalen

Somewhere I Know There's Nothing

PARTE I
Contas feitas, passo quase 5% da minha semana em viagens (o que até nem é anormal, atendendo a que quem demore diariamente 45 minutos entre casa e o emprego, passa o mesmo tempo em transportes públicos ou ao volante do carro).
Mas estas longas viagens semanais, além de serem cansativas, obrigam-me a passar algumas horas seguidas sentado ao lado de alguém com quem na maioria das vezes nem chego a falar. Eu não sou gajo de meter conversa sem mais nem menos e, diga-se a verdade, a maioria das pessoas que tem viajado ao meu lado não é muito diferente. Há tempos, durante uma viagem, comentei com um amigo em como era muito estranho este modo umbilical de viajar, e que mais se nota nas vezes em que o comboio ou o expresso vão mais vazios e cada um escolhe a sua janela, com distribuições equidistantes, para ali passarem horas a fio a ler, ouvir música, nos sms, ver um filme, desfrutar a paisagem, dormir... Mas como muitas das vezes até vamos com lotação esgotada, e nem sempre levo alguém aprazível a meu lado, adoptei uma nova estratégia há umas semanas atrás: sou dos últimos a sentar-me, e sem dar grande importância aos lugares marcados (porque só meia dúzia de pessoas se preocupa com isso) escolho um lugar ao lado dum gajo, e de entre os gajos, vulgo lugares disponíveis, escolho um que pareça uma pessoas interessante, para uma eventual conversa, obviamente.
Neste últimos meses, mesmo antes da nova estratégia, até aconteceram alguns momentos mais caricatos: Uma vez em que fui frente a frente com um gajo, e em que várias vezes durante a viagem os nossos olhares cruzaram-se e fixaram-se, tornando-se mesmo embaraçoso nalguns momentos, Ele acabou por sair numa estação antes da minha e olhou para trás antes de sair; Outra de um francês que se levantou de outro lugar para se sentar ao mau lado, porque era o lugar que estava no bilhete (disse ele) e com quem tentei manter conversa em inglês (sem grande sucesso) sobre férias de inverno em Portugal, Numa segunda tentativa ofereci-lhe bolachas (com resultados mais infrutífero ainda), Acabámos por sair na mesma estação e ele ainda esboçou um aceno de adeus, acompanhado por um sorriso, quando já na rua olhei para ele uma última vez; Outra de um gajo, com ar de puto de vinte anos que fui quase todo o tempo a dormir de boca aberta, No momento só me lembrava da história que um amigo meu conta sobre as coisas que os gajos do desporto fazem quando viajam em autocarros e algum adormece de boca aberta...

 
Comentários

Carlos, tens que ir praticar desportos coletivos para ver se descobres :-)

Comentário de: malandro às julho 15, 2006 08:08 AM

Que será que os gajos do desporto fazem aos colegas que dormem de boca aberta? Fiquei curioso... LOL

Comentário de: Carlos às julho 13, 2006 05:15 PM

A observação e as expectativas acabam - às vezes - por ser enriquecedoras. Ou intrigantes. Ou insinuantes. Ou excitantes. Ou entediantes. Ou...

Comentário de: Catatau às julho 11, 2006 04:19 PM

AH, voltaste! :D

Comentário de: J. às julho 11, 2006 03:27 PM
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